O erotismo, temática que se encontra presente na produção literária da escritora brasileira Hilda Hilst, é abordado nesta pesquisa sob a perspectiva das relações de gênero, em nossa análise da narrativa A obscena Senhora D. Para desenvolver esta investigação acerca da escrita hilstiana, fez-se necessário, inicialmente, realizar uma breve revisão da crítica feminista, considerando a evolução de seus conceitos que, partindo de uma análise das obras escritas por mulheres e de elementos que unem esses sujeitos, passa a abarca as diferenças entre as mulheres, tendo a cultura como um dos fatores fundamentais a distingui-las. Do mesmo modo, consideramos importante situar a narrativa em questão dentro da produção literária desta autora, sendo fornecida uma visão geral de sua escritura, que engloba poesia, prosa e dramaturgia. A (i) logicidade da nossa protagonista Hillé é questionada como uma construção do outro, tendo por base investigações relativas às relações de poder na sociedade patriarcal, onde mulheres que têm um comportamento divergente daquele previamente estabelecido, são tachadas de insanas. Verificamos, ainda, que esse comportamento fora dos padrões definidos para o seu sexo tem sua origem na exacerbação da força erótica que, na impossibilidade de ser satisfeita fisicamente, é direcionada ao sagrado, na busca da personagem por completude, por Deus, pelo divino. |